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terça-feira, 4 de março de 2014

ARTIGO ESPECIAL: Uma Interessante Técnica de Estudo: formulação de perguntas e autoexplicação

Recentemente passei por uma rica e interessante experiência de estudo e aprendizagem, a qual me mostrou na prática a eficácia de uma estratégia de estudo nem sempre utilizada. Trata-se da formulação de perguntas para si mesmo, o que também se confunde com a autoexplicacao
Eu havia sido convidado a participar de um debate, com a responsabilidade de desenvolver uma apresentação sobre o tema dos mecanismos e normas jurídicas que tratam da proteção trabalhista aos portadores de necessidades especais. Trata-se de tema que guarda algumas peculiaridades, especificidades, complexidades e que não é muito afeto ao meu dia a dia de trabalho e docência, inclusive considerando as matérias mais debatidas nos processos que analiso como Juiz do Trabalho.
Daí tive que me preparar, revendo conceitos e informações que, por vários motivos, mas principalmente a falta de contato permanente e reiterado, não estavam intelectualmente disponíveis para mim com tanta segurança e domínio como gostaria. E não tive o tempo que acho que seria ideal para me preparar, sendo que, também por este motivo, antes do debate começar, enquanto aguardava já no local do evento, me sentia um pouco inseguro.
Assim, nestes minutos que antecediam o inicio do debate, parti para o trabalho de formulação de auto-perguntas. E o que percebi? Percebi que dominava o tema muito mais do que imaginava! Elaborei perguntas que considerei relevantes, em função das informações que considerava mais relevantes. E constatei que tinha a resposta para praticamente todas. Quanto às poucas que não tinha a resposta, identifiquei naquele mesmo momento onde estava a minha precariedade de domínio intelectual, o que me permitiu reforçar e rever o contato com tais informações, tendo isto me ajudado a fechar o domínio completo do tema, e injetar uma dose ainda maior de segurança.
Além das relevantes repercussões emocionais que esta experiência me proporcionou, pudereforçar o que já dominava, inclusive quanto ao que não tinha a clara consciência de que dominava. Também identifiquei o que não dominava, de modo que pude suprir tal precariedade. E ainda desenvolvi um trabalho de revisão quanto ao que tinha domínio, o que se traduz em contribuição para consolidação de memórias.
Apenas para que se tenha uma ideia mais clara, inclusive do ponto de vista prático, algumas das perguntas que me fiz sobre o tema da proteção juridico-trabalhista aos portadores de necessidades especiais foram as seguintes: (1) como é o regramento dos percentuais obrigatórios de empregados portadores de necessidades especiais nas empresas e qual o seu fundamento?; (2) qual o Decreto que disciplina o conceito de portador de necessidade especial?; (3) quais elementos conceituais compõe a definição de portadores de necessidades especiais?; (4) qual a Convenção da OIT que trata da readaptação?; (5) quais os fundamentos principiológicos que tratam do tema na Constituição Federal e em quais dispositivos estão?; (6) quais os fundamentos infraconstitucionais?
Muito bem, compreendida a experiência prática, vamos aos fundamentos que estão por trás disto, o que pode ajudar bastante na adoção desta estratégia.
Um dos defensores da formulação de perguntas enquanto estratégia de estudo trata-se do psisoclogo americano e referência no estudo da memória Daniel Schacter (SCHATCER, Daniel. Os sete pecados da memória.Rio de Janeiro: Rocco, 2003, pág. 52).
Já a estratégia da auto-explicação (self-explanation) é listada no emblemático estudo sobre as mais eficazes estratégias de aprendizagem, publicado no começo deste ano nos EUA, na Association for Psychological Science. Inclusive o que mais existe atualmente são sites e blogs no Brasil tratando deste estudo de forma totalmente equivocada, com traduções incorretas e compreensões inadequadas, afirmando taxativamente que determinada técnica de estudo é ineficaz e outra é eficaz. Mas isto é assunto para outra ocasião.
Venho trabalhando com um conceito que sistematizei no meu trabalho de final de curso da pós em neuroaprendizagem (que pretendo transformar em livro), que chamei de fatores estratégicos de formação de memórias de longo prazo. Ou seja, trata-se de fatores que podem ser mobilizados de forma isolada ou conjunta e são determinantes para a formação de memórias. Estão neste rol de fatores a consistência cognitiva, ou seja, a elaboração e o nível de mobilização cognitiva, bem como a repetição.
No caso da formulação de perguntas, é possível trabalhar com estes dois fatores. Naturalmente que aí se torna necessário saber avaliar quais as perguntas devem ser formuladas, ou seja, quais as informações merecerão a formulação de perguntas.
Além disto, como colocado anteriormente, podemos identificar pontos de falta de domínio, bem como ganhar segurança quanto ao que certificamos que dominamos. E este aspecto emocional tem uma serie de repercussões relevantes.
Isto não quer dizer que para tudo o que se estuda e para todas ocasiões esta estratégia seja adequada. Mas seguramente ha situações que era a sua utilidade.
Portanto, pense nesta possibilidade de estratégia de estudo e avalie em que situações pode ser útil.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Dor e Prazer em Aprender nos Estudos


Quase todas as atividades humanas exigem a mobilização de funções cognitivas e psicomotoras. Praticar esportes num contexto lúdico, como participar de uma partida de futebol, jogar um jogo eletrônico, assistir um filme ou dançar são alguns exemplos. Porém, algumas atividades são consideradas mais prazerosas que outras. E ainda existem atividades que não são consideradas nada prazerosas.
Os estudos voltados à preparação para concursos públicos e exames geralmente são enquadrados no segundo grupo. Ou seja, trata-se de atividades cognitivas que tendem a não serem percebidas como prazerosas.
Mas como trabalhar este obstáculo? Podemos fazer com que o estudo seja tão prazeroso quanto assistir um filme ou uma partida de futebol? Vale lembrar que todas estas atividades envolvem a mobilização de funções cognitivas, ainda que as emoções vivenciadas sejam distintas.
Para superar a mencionada dificuldade é preciso desenvolver estratégias voltadas a trabalhar o prazer em aprender. Tenho dedicado alguns estudos, pesquisas e reflexões a este tema, o qual inclusive já foi objeto de outro texto.
Porém, considero que o prazer em aprender pode ser compreendido em duas perspectivas, sendo uma relacionada ao contexto de estudo e outra relacionada ao processo. O texto mencionado tinha como objetivo trabalhar o contexto, sendo que agora a intenção consiste em trabalhar o processo.
Assim, para trabalhar o prazer em aprender no contexto dos estudos, é importante desenvolver e refletir sobre as estratégias articuladas no mencionado texto (clique aqui para ler Preparação para Concursos e Prazer em Aprender).
Mas quanto ao processo de aprendizagem, existem dois relevantes conceitos a serem considerados. Um se estabelece no plano da estratégia cognitiva, ao passo que outro envolveaspectos neurobiológicos-orgânicos do processo de aprender.
Em relação ao primeiro conceito, podemos trabalhar primeiramente com uma tradicional e relevante idéia sobre a compreensão do processo de aprendizagem, desenvolvida pelo emblemático Jean Piaget, um dos pais das ciências cognitivas.
Segundo Piaget, a aprendizagem passa por três etapas, as quais correspondem à assimilação, acomodação e equilibração. A assimilação consiste na checagem comparativa entre as informações que já temos apropriadas e o novo objeto de conhecimento. Aacomodação consiste na compreensão comparativa, na qual avançamos na apropriação intelectual da nova informação. Já a equilibração envolve a etapa em que alcançamos o domínio do novo conhecimento.
Vamos imaginar o aprendizado do conceito de classificação das constituições quanto à mutabilidade (rígidas, semi-rígidas e flexíveis). Num primeiro momento, checamos esta nova informação considerando o conceito de constituição e poder constituinte derivado, os quais já temos (assimilação). Depois avançamos na compreensão do novo conceito, entendendo que as espécies de constituições quanto ao referido critério, no fundo, são variações de limites à manifestação do poder constituinte derivado (acomodação). E aí, consolidando o domínio e compreensão desta nova informação, chegamos ao estado de equilibração.
É bem verdade que podemos considerar a existência de uma quarta etapa, a qual corresponderia ao desequilíbrio, ao nos depararmos com uma nova informação ou problema em relação ao qual não temos o domínio. E daí, passamos novamente pelo mesmo processo.
Mas o fato que nos interessa, considerando o objetivo do texto, é que o alcance da terceira etapa (equilibração) gera um estado de satisfação. Pense numa situação na qual você quebrava a cabeça para entender um conceito ou informação nova. Como se sentiu após o alcance do seu domínio? A emoção experimentada foi de prazer ou de insatisfação?
Por outro lado, no plano neurobiológico, existem estudos indicativos de que ao conquistarmos esta etapa na qual compreendemos e dominamos a nova informação estudada ocorre, por diversos motivos e dinâmicas bioquímicas, a liberação de um neurotransmissor denominado serotonina. Esta substância é responsável pelo estado de humor.
Ou seja, o prazer causado pela aprendizagem tem um fundamento inclusive de ordem bioquímica.
Tudo isto tem uma lógica parecida com a dialética hegeliana, envolvendo o processo de construção de tese, antítese e síntese. Isto é, nos deparamos com o novo conhecimento, surge um obstáculo para o seu domínio e compreensão, sendo que ao nos apropriarmos entramos num estado de satisfação.
Este é o prazer em aprender inerente ao processo de aprendizagem!
Portanto, saiba que ao se deslocar para o seu ambiente de estudos, estará desenvolvendo uma atividade que ao final poderá lhe proporcionar satisfação. Esta compreensão é importante inclusive para que tome consciência e mude a perspectiva com a qual encara esta atividade.
Existem pessoas que usam drogas, lícitas ou não, para buscar prazerAo invés disto, podemos estudar. O custo, do ponto de vista do esforço demandado, pode ser maior, bem como o prazer, naquele momento, não tão intenso assim. Mas o benefício será bem maior.
Curta o prazer em aprender!


Prof. Rogerio Neiva:

  • Juiz do Trabalho desde 2002
  • Procurador de Estado de junho de 1999 a agosto de 2000
  • Advogado da União (AGU) de março de 2001 a agosto de 2002
  • Professor Universitário (graduação) – desde de 2000
  • Professor de Cursos Preparatórios para Concursos – desde 2000
  • Pisocopedagogo com pós graduação latu sensu em psicopedagogia clínica e institucional
  • Pós Graduado latu sensu em Direito Público – UDF
  • Pós Graduado em Administração Financeira – FGV
  • Pós Graduando em Neuroaprendizagem
  • Desenvolve orientação voltada à preparação para concursos públicos, a partir de abordagem empírica e científica, trabalhando com três eixos conceituais: Planejamento, Aprendizagem e Gestão Emocional
  • Vice-Coordenador da Escola da Magistratura do Trabalho da 10ª Região – Gestão 2005/2007 e 2009/2011
  • Membro da Comissão do Conselho Nacional de Justiça instituída para estudos sobre a Emenda Constitucional 62
  • Criador do SISTEMA TUCTOR 

Autor dos Livros:

  • Como se preparar para Concursos Públicos com Alto Rendimento “; Ed Método; 2010;
  • “Concursos Públicos e Exames Oficiais: Preparação Estratégica, Eficiente e Racional”; Ed Atlas; 2009;
  • “Temas de Direito do Trabalho aplicado à Administração Pública e a Fazenda Pública no Processo do Trabalho”; Ed Fortium, 2005;


                                                                 Oferecimento:
 




Os nobres Guerreiros, poderão deixar perguntas em comentários aqui no "BLOG CONCURSEIRO GUERREIRO" ou se preferirem podem envia-las para o e-mail: concurseiroguerreiro@hotmail.com - destas selecionaremos uma para produção de um texto escrito pelo próprio Dr. Rogerio Neiva. Avante Guerreiros! DEUS É GRANDE!